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Investigadores da U.Porto criam máscara contra a Covid-19 para doentes com dificuldade de deglutição

Uma máscara contra a propagação da Covid-19, mas com um público-alvo específico: doentes que sofrem de disfagia, uma condição incapacitante que provoca dificuldades no momento da deglutição. A inovação surgiu dos esforços das Faculdades de Medicina (FMUP) e Engenharia (FEUP) da Universidade do Porto, em colaboração com o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, e pretende proteger tanto os pacientes como quem deles cuida.

A utilização desta máscara pode revelar-se particularmente importante durante o período de refeições, uma vez que oferece uma maior proteção dos cuidadores das pessoas com disfagia, especialmente daquelas "com alterações da motilidade faringo-laríngea, com frequentes obstruções respiratórias e tosse e a consequente emissão de resíduos alimentares e de aerossóis”, explica José Manuel Amarante, em comunicado.

O investigador da FMUP refere a ajuda que a máscara pode trazer a doentes institucionalizados em lares ou a quem apresenta traumatismos da face, em internamento hospitalar, resguardando-os "dos aerossóis emitidos pelo próprio cuidador, dada a estreita proximidade entre ambos".

Joaquim Gabriel Mendes, da FEUP, explica que o mecanismo "é constituído por dois componentes: um superior e um inferior, móvel e transparente, que permite o acesso à cavidade oral do paciente sem retirar a máscara”. Está também previsto que o dispositivo desenvolvido possa ter um sistema de aspiração.

Foi a desafio de encontrar uma solução que permitisse que a remoção das máscaras tradicionais não pusesse em risco doentes e os seus cuidadores, que necessitam de "visualização da abertura da boca e visão de como se está a realizar o processo de deglutição de um determinado alimento”, que levou à criação desta barreira.

"A necessidade de desenvolver um equipamento de proteção individual que permitisse ao profissional de saúde que vai proceder à reabilitação da disfagia em indivíduos infetados por Covid-19 estar protegido dos aerossóis emitidos pelo doente e que, ao mesmo tempo, permitisse visualizar e aceder às estruturas faciais e orais era determinante”, explica a diretora do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação no Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, Catarina Aguiar Branco.

A disfagia é uma condição incapacitante, que atinge, frequentemente, doentes com Parkinson, mas também pessoas que tenham sofrido um acidente vascular cerebral ou tenham sido sujeitas a ventilação mecânica em unidades de cuidados intensivos.
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